Friday, May 8, 2026

OE Corinthian

Estreou-se ontem em Lisboa o veleiro francês Orient Express Corinthian, operado por uma empresa do grupo Accor cujos ativos mais conhecidos mundialmente são os hotéis, incluindo algumas unidades bem conhecidas em Lisboa e arredores. Este é apenas mais um entre os muitos navios que visitam Lisboa. Contudo este navio trouxe com ele uma inovação, desde os estaleiro de construção naval, Chatiers de l'Atlantic. Velas compósitas em mastros de carbono rotativos e eleváveis. Está previsto entrar ao serviço um navio em tudo semelhante a este, em 2028, o Atlas Adventurer, encomendado pelo empresário português Mário Ferreira a um estaleiro chinês, devido à falta de espaço em Portugal para a construção de navios, nos próximos meses, segundo o que a comunicação social apregoou. Quando construído será maior que o OE Corinthian, pelo menos na capacidade de passageiros (anunciados 400).

O OE Corinthian tem 223 m de comprimento e 26 m de boca, o que faz dele o maior veleiro do mundo atualmente batendo o também francês Club Med 2 (1992), com os seus 194 m de comprimento. Tem capacidade para 110 passageiros em 54 suites. Demora cerca de uma hora e meia para abrir os mastros e velas, o que é uma eternidade e um ponto a melhorar sem qualquer sombra de dúvida. Com tanta lentidão nem é possível compará-lo com os outros navios veleiros quando se fala em velocidade de abertura de velas. Além de que quando efectua esta operação tem de navegar a velocidade de até 4 nós (bastante baixa velocidade) e ainda necessita de mão de obra, não consegue fazer o processo todo de forma automática. Ou seja, é mesmo ainda um navio protótipo desta tecnologia, mas que podia já estar melhor equipado de base. Este conceito é vendido como sendo parte de um projecto de inovação ecológica e encontra-se patenteado. 

As velas são painéis de fibra de vidro, emolduradas por carbono e resina epóxi, o que dizem ser 10 vezes mais resistente que uma vela tradicional e com uma vida útil 5 vezes maior que as velas tradicionais cuja vida útil é de cerca de 4 anos.

O básico segredo da elevação dos mastros de carbono.
A ideia da sustentabilidade vendida por estes navios, aliada ao facto do seu propósito ser atrair ricos para viajarem para lugares recônditos contribuindo para a sua destruição ambiental e massificação turística, não combina...portanto é deveras importante começar-se a regular o exponencial crescimento de navios de exploração, que tem surgido especialmente na última década, em detrimento de falácias sobre sustentabilidade.

Ligação do motor elevatório ao mastro. 6 simples parafusos e peça metálica com encaixe. Um navio de milhões e sem capa protectora para os parafusos que protegem um item importante.



Eixo de rotação e ligação do carbono ao metal.

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